Em que pese o nosso tamanho, envergadura e importância no cenário do esporte nacional, sempre achei que o ambiente da mídia esportiva era mais propício a abordagens negativas sobre o Rubro Negro.
Alguns acham que é apenas coincidência e que isso é coisa de torcedor. Contudo, a forma como a imprensa abordou os jogos do Flamengo contra River e Botafogo ultrapassou todos os limites da desfaçatez e tirou qualquer duvida que eu tivesse.
Observem a cobertura dada pela mídia esportiva nesses 2 últimos jogos. As análises no decorrer e no pós jogo. A tendência de títulos e opiniões seguiu a seguinte linha: Contra o Botafogo, “Com gol irregular Flamengo vence Botafogo“. Ignorando ou subestimando erros que também ocorreram em prejuízo ao Flamengo. Colocando tudo na conta do gol irregular, para deleite dos adversários. Já na quarta, pela Libertadores, o mote foi diferente: “Jogando mal Flamengo tropeça na Libertadores“. Nada de “Prejudicado pela arbitragem Fla tropeça”. Notaram a diferença de abordagem?
Alguns dirão nesse ponto que o ideal é sempre analisar o futebol apresentado. Que erros de arbitragem ocorrem para todas as equipes e reclamações sobre isso devem ser evitadas . E eu concordo plenamente com isso. O que me incomoda é que no dia em que quando o Fla é beneficiado pela arbitragem de alguma forma aparecem abutres na mídia até do quinto dos infernos para apontar e reclamar e focam grande parte da análise nisso. E quando somos prejudicados todos se calam ou fazem pouco caso dos prejuízos.
Não é meu objetivo de forma alguma defender ou tirar o foco do futebol que vem sendo praticado pelo Flamengo. Deveríamos estar jogando bem mais. ( E, como disse em boa parte de 2017, o problema é muito mais tático e técnico do que “de postura, vontade, comprometimento” e outras explicações mais subjetivas que sempre aparecem em momentos de pouco futebol). O que eu cobro aqui é coerência.
A minha crítica aqui é a falta de critério da mídia esportiva para com o Flamengo. No Sábado vencemos “com um gol irregular” e pronto. Sem espaço para discussão, sem espaço para notar que o Flamengo também foi muitíssimo prejudicado pelo assoprador de apito ( lances como a agressão sofrida pelo VJ, o pênalti claríssimo – que sequer foi reprisado durante o jogo – sobre o Paquetá e o cartão amarelo para o Jonas em um lance que sequer houve a falta são convenientemente esquecidos ). Já no jogo da quarta, onde houve um pênalti cristalino não marcado para o Fla e o River fez um gol com 3 jogadores bem impedidos, tudo isso fica em segundo plano. Apenas observam que o time do Flamengo fez uma má partida, que não tem pegada, que é ruim, etc. E são diversos os casos nos quais esse tipo de diferença de abordagem acontece em comparações a situações semelhantes envolvendo outros clubes.
Não chego ao ponto de falar que existe uma “antiFlapress”. E dou risada na cara de quem tenta vender a ideia de que existe uma “Flapress”. Não é isso. Não creio que seja algo orquestrado e não me refiro àqueles na mídia que são claramente bairristas. Porém é notório que uma crise na Gávea vende bem mais do que “tempos de paz na Gávea”. Um noticiário com problemas no Flamengo faz ferver a pauta de muitos jornais. E eu tenho convicção que, mesmo de forma involuntária, isso cria um ambiente no qual é mais propicio ser negativo para com o Flamengo em momentos. Um ambiente no qual eles tem dois pesos e duas medidas para falar de Flamengo. Temos que abrir os nossos olhos para isso.
Fonte: Coluna do Flamengo

Nenhum comentário:
Postar um comentário